Centro Comercial Nova Olaria
   
       
     
 

Para Montepio dos Funcionários do Município de Porto Alegre:
Reciclagem -
Centro Comercial Nova Olaria

Data:
1993
Área Construída Original: 3.995,00m²
Área costruída total após a reciclagem: 3.987,00m²
Local: Porto Alegre
Equipe: Moacyr Moojen Marques,,Arq. José C. Marques, Arq. Sergio MMarques, Arq. Anna Paula M. Canez - Col.

 
Nova Olaria
Pragmatismo nada superficial

Um certo sentimento de desorientação seguiu-se aos questionamentos da condição pós- moderna, que no Brasil deu-se talvez tardiamente, em meados dos anos oitenta. Questionadas as verdades estabelecidas havia-se que definir e inventar uma nova tradição. Sua opção para a pratica profissional foi eclética no sentido de ser inclusiva, sem preconceitos de forma e tema, sem o emprego de formulas a priori, apostando entretanto num pragmatismo nada superficial. Com ênfase num prazer estético “de resultados” mais do que de “princípios”. A obra do Nova Olaria, pode ser entendida como um esforço de contextualização da produção arquitetônica que se referencia mais claramente com seu aqui agora, sua inserção compromissada no mundo, porque define com clareza o que é inspiração e influencia o que é recriação e adaptação. O desconjuntado agrupamento de velhos galpões não chegava a ter um charme especial nem se localizava num lugar demasiadamente atrativo. Isso antes, mas não agora: após seu projeto e transformação o Nova Olaria não apenas um espaço arquitetônico plenamente (e funcionalmente) adequado as necessidades do cliente e do agrado dos usuários que o freqüentam, como tornou-se um marco catalisador de uma nova visão do bairro que, paradoxalmente quer remeter a tradição que, de fato, transforma de maneira radical porém sutil.
Alguém já disse que, não temos história, está na hora de inventá-la. Parece-me ter sido essa a tarefa dos arquitetos neste projeto.
Remetendo-se ao tecido tradicional da cidade e à tipologia habitacional dos imigrantes italianos que o ocuparam no inicio do século; aceitando como alavanca para mover a criação às contingências formadas pelas construções existentes, quase desinteressantes e sem brilho; respeitando a rua externa como parte da vitalidade urbana e valorizando a rua interna como elemento conector despojado e quase natural – se comparado com as soluções habituais de centros comerciais, geralmente fechados em conteiners auto-suficientes – os arquitetos trabalharam e criaram. E desse amálgama extraíram uma solução regular, simples e inteligente: o continuum das novas fachadas como pele, filtro, elemento de apoio e de requalificação dos espaços externos e internos. A qual se desdobra para atender particularidades de esquinas, da pequena praça, do portal, uniformemente, reiterativamente, apostando na repetição com sutis variações (lição aprendida da cidade tradicional) como viés de criação de um contexto que não é repetição do passado, mas sua re-inveção.


Arq. Ruth Verde Zein texto publicado na revista Elarqa n.33